SOGRA: SEGUNDA MÃE OU COBRA?

O relacionamento da sogra com a nora é um tema que tem sido debatido em todos os tempos, revelando um conflito que muitas vezes atrapalha o crescimento do casal e por vez até precipita separações. Mas também existem casos em que a sogra consegue ser uma coadjuvante na construção da nova família favorecendo o crescimento. Qual o seu caso?
Vamos tentar entender um pouco a base psicológica deste relacionamento que gera tantos conflitos. Os casamentos acontecem com pessoas que vem de culturas e costumes diferentes e as mulheres em muitas culturas são vistas como “guardiãs da família”, fato este que está na base dos conflitos. Em alguns casos a interferência excessiva dos sogros pode levar a problemas sérios capaz de transformar a convivência em um verdadeiro inferno. Para aproveitar as diferenças existentes, que cada um traz para o novo núcleo familiar que se forma, se faz necessário esforço por parte de todos envolvidos. Esforço esse para que se possa compreender o jeito diferente de cada um ser e assim ajustar-se para então evoluir com o outro a partir destas distintas visões de mundo. A mãe que tem uma forte relação de dependência com o filho, tanto emocional como financeira, vê o casamento do mesmo como uma separação. Com esta percepção não consegue receber a nora como uma filha, pois em seu entender ela o está “roubando”, o afastando por meio de novos costumes. Este sentimento a leva ter repulsa, ciúmes, críticas, muitas vezes inconscientes, que a faz interferir e impedir a evolução do casamento de seu filho. O desejo é que seu filho esteja bem, porém não consegue entender que possa estar bem de um jeito diferente que imagina ser o melhor para ele. Assim, espera que ele volte para perto dela e passe a viver sob a sua influência, como se seu costume fosse o único a lhe dar segurança e bem estar. Por outro lado, também temos os sogros que recebem com alegria a nora ou genro e entendem que podem amar aquele que ama seu filho ou filha e com isso, mesmo sendo diferente, vê nele ou nela a possibilidade de viver coisas novas e respeitar as escolhas dos dois na busca de viver harmoniosamente. Respeitam a liberdade de escolha e não lhe dizem o que fazer, pois partem do pressuposto que se tomaram a decisão de casar possuem maturidade para construir sua própria história.
Portanto, se ambos, casal e sogros, ou pelo menos uma das partes, tiverem maturidade emocional poderão compreender-se mutuamente e ter consciência que não se faz necessário a disputa, já que cada um tem seus valores, jeito de compreender a vida, e principalmente que exerce papel distinto no sistema familiar e é por ser diferente que enriquece o viver de todos. Assim sendo, se o casal não for a casa dos sogros todos os domingos não é porque não os amam, mas sim porque querem aprender nesta nova vida, do seu jeito, com seus próprios programas, e ao visitá-los o farão quando sentir saudades, vontade de viver horas agradáveis juntos, compartilhando seus novos aprendizados. Logo, para um viver em harmonia, exercendo o papel de pais e filhos, basta cada um dar ao outro a liberdade de ser o que é.
Psicóloga – Terapeuta Familiar e de Casal
Noemi Paulina Cappellesso Finkler
CRP 08/03539

Psicóloga – Terapeuta Familiar e de Casal
Elisa Mara Ribeiro da Silva
CRP 08/03543

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