QUEM JULGA SUA VIDA ?

Diante de um conflito na vida das relações é recomendável se analisar o fato e buscar o caminho mais adequado para reparar os danos, de tal forma que os envolvidos possam continuar suas vidas e os relacionamentos sem traumas. Porém, o que se tem observado é que a inflexibilidade, a falta de paciência e de disponibilidade em buscar soluções levam as pessoas à Justiça para que alguém que lhes dê solução, aliás, por vezes não necessariamente solução senão a confirmação de estarem certas, validando seu ponto de vista. Essa realidade aumenta o número de processos que se arrastam por longo tempo no Judiciário e deixa a vida dos envolvidos amarrada a uma lide, na esperança que um terceiro venha julgar o que muitas vezes só os envolvidos são capazes de avaliar e mensurar quanto ao dano emocional causado e, compreender qual a parcela de cada um no conflito oportunizando a aprendizagem da resiliência.

A falta de hábito em fazer uma autoanálise com o objetivo de colocar-se no lugar do outro e entender o conflito na busca de soluções em conjunto é uma das causas da juridicialização dos conflitos interpessoais. O aumento do número de processos abarrotando os Tribunais faz com que a demanda seja maior do que o Judiciário possa dar conta e isso prejudica a celeridade processual. Algumas reflexões neste momento são pertinentes: O que está acontecendo com a humanidade? Que lutas internas estão travando? Que cegueira emocional é esta? Que sentimento impossibilita o colocar-se no lugar do outro? O que determina se ver sempre como vitima e acreditar que o outro é quem deve reparar os danos? O radicalismo seja ele qual for é uma trava para que novas possibilidades surjam e tragam novos horizontes. É preciso estar disposto a rever conceitos, a fazer análises mais profundas e se modificar para um bem maior, onde o importante não só o meu, nem só o seu, mas o todo. Aquele que harmoniza as relações compreende e consegue escutar o ponto de vista do outro. Diante desta realidade, alternativas estão sendo propostas pelo próprio Judiciário para a solução de conflitos, como a mediação e conciliação. Por meio destas, busca-se de forma neutra ouvir as partes e principalmente fazer com possam reestabelecer a comunicação apoderando-se da capacidade de resolver seus conflitos.
A sentença é uma decisão fria, pela qual o Juiz a partir de um “pedido escrito”, por meio da argumentação de um representante e suas provas deverá aplicar a lei. Porém, diante da complexidade das relações e dos sentimentos do ser humano, nem tudo se consegue transcrever nem analisar minuciosamente, o que faz com que os operadores do Direito se utilizem de vários casos com similaridade para interpretar a Lei e dar uma sentença favorável a uma das partes. Assim, sempre haverá um vencedor e um perdedor e nada se modifica. Um bom mediador oportuniza a reflexão, o entendimento do que está além dos pedidos processuais. Possibilita olhar pessoas em interação que possuem sentimentos os quais muitas vezes podem cegar a capacidade de encontrar soluções. E principalmente, propicia validar a vontade latente de se ver atendido, escutado, mesmo que não tão vitorioso.

Psicóloga – Terapeuta Familiar e de Casal
Noemi Paulina Cappellesso Finkler Noemi
CRP 08/03539

Psicóloga – Terapeuta Familiar e de Casal
Elisa Mara Ribeiro da Silva
CRP 08/03543

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