QUE FAMÍLIA É ESTA? O QUE SE PERDEU?

Como aprendemos um dia nas aulas de química, para Lavoisier “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”! Somos seres vivos, nos agrupamos e formamos uma sociedade também viva, que faz parte de toda a natureza. Neste nosso agruparmos criamos formas de viver e nos desenvolver: vivemos em família. É sabido que a família mudou. Durante muito tempo concebíamos família como o modelo nuclear: pai, mãe, filhos. Hoje vivemos em outros modelos além deste. Temos a família monoparental, na qual encontramos somente um genitor e seu filho. Família reconstituída que advém de recasamentos. Família homoafetiva que se constitui a partir de um casal homossexual. As famílias extensas que vão além dos muros que delimitam a família, com membros que fazem parte, mas estão associados a outras famílias, os “terceiros” na relação, de vínculos extraconjugais. Isso tudo sem falar na forma e condição desses arranjos, se são casados civilmente ou coabitam, se há casamento religioso, se os filhos são frutos de uma gestação, adoção, do recasamento ou de manipulação genética. Há uma complexidade infinda na realidade em que vivemos, independentemente do que acreditamos ser certo ou errado. Assim como nos demais aspectos da natureza, tudo se transforma, novas configurações se fazem. O que surge não é fruto de um querer de determinado grupo social, político ou religioso. E nem tanto estes grupos podem influenciar. O que existe faz parte de um processo, de um mundo em constante mudança. Ah, Heráclito e o “eterno devir que tanto incomoda nossa alma…” A química nos ensina que para uma reação acontecer naturalmente é necessário afinidade entre os elementos, colisão e principalmente ultrapassar a energia de ativação. A aceitação às mudanças é difícil. A física newtoniana apresenta a Lei da Inércia que ousadamente tomamos para ilustrar a dificuldade de mudar, a tendência em manter o que está estipulado. A psicologia fala em resistência, o tão conhecido medo do desconhecido! Como entender e aceitar então que os conceitos podem e devem mudar? Como concordar que a família que vimemos hoje não é necessariamente a que queremos e sim a que temos? As pessoas relutam a compreender e conviver, muitas vezes por sua própria insatisfação e insegurança. O que vai ser da família? A que ponto chegamos? Isto escutamos. Diante de tudo que se apresenta, de tantos medos, desconfortos, indagações e indignações podemos dizer algo simples: o problema não está nas respostas e sim nas perguntas. Não é o que vai ser da família, mas sim que família temos hoje. Não importa a que ponto chegamos, pois chegamos. Está posto! O que devemos é conhecer e entender essa caminhada. Nada está e é ao acaso. Faz parte do mundo em transformação. É resposta ao que vivemos até agora, consequência do processo natural de desenvolvimento. Sim, sabemos que é difícil entender e até mesmo para alguns aceitar. Parece uma acomodação, uma mera aceitação, falar e pensar assim. Porém, é profundo e complexo compreender que somos fruto de uma semente que há mais tempo foi lançada ao solo e que vem se transformando para hoje ainda estar se modificando, e que mesmo após estar madura, deverá ter suas sementes novamente lançada ao solo para novos frutos. Somos uma sociedade viva, com famílias formadas por seres vivos em relações constantes, que exigem novas configurações, e não se preocupem, nada se perdeu, apenas se transformou. Um dia estaremos adaptados a este novo jeito de ser, talvez até o compreenderemos, no entanto estaremos novamente indignados pelas novas mudanças!
Psicóloga – Terapeuta Familiar e de Casal
Noemi Paulina Cappellesso Finkler CRP 08/03539
Psicóloga – Terapeuta Familiar e de Casal
Elisa Mara Ribeiro da Silva CRP 08/03543

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