QUANDO O AMOR AINDA PODE CRESCER

Quando o amor acontece, as pessoas passam a querer viver juntas. Idealizam a relação, se casam e esperam uma vida de plenitude na convivência, por acreditar que se existir amor tudo será colorido e permanecerão no “felizes para sempre”. Esta primeira fase do casamento denominamos “Casamento na Infância” por carregar as características do ser infantil que em um primeiro momento é fusionado com a mãe e acredita que ele e a mãe são um só. Fazendo um paralelo com os casais, nesta primeira fase do casamento, marido e mulher também buscam fusionar-se, ser um só. Com isso tornam-se dependentes um do outro, exigem a presença constante e idealizam o outro como parte de si mesmo. Parece ser perfeito. Estar juntos é o que basta! Não toleram o afastamento e a individualidade por interpretar estas necessidades como desamor e abandono. Porém, o amor ainda pode crescer se houver convívio, diálogo, tolerância, conhecimento de si na relação com o outro e disposição para conhecer o parceiro/parceira como ele realmente é. E principalmente, se conseguir lidar com as crises e conflitos que surgirão e auxiliarão o crescimento de cada um e da relação.
As pessoas quando se casam precisam compreender que o casamento é um processo que une duas pessoas que possuem diferenças familiares nos valores, hábitos e formas de se conectar afetivamente. Por vezes, os casais imaginam que após o evento do casamento, todos se sentirão próximos e conectados. Nesta fase do casamento, é característica a idealização de uma vida de felicidade plena e sem problemas, própria da imaturidade, ingenuidade, inocência e falta de conhecimento de si e do outro em uma vida de relações. Este momento exige trocas e abertura para o crescimento, ao mesmo tempo em que é solo fértil para o surgimento de crises conjugais que podem levar ao rompimento se não forem desenvolvidas habilidades para manejar as diferenças. Tarefas devem ser desempenhadas para que ambos possam exercitar o afastamentocom sua família de origem, bem como relacionar-se com o modelo familiar do cônjuge. É importante compreender e saber interagir com as interferências advindas do meio externo, criando limites para que o casal consiga avaliar as regras importadas de seus familiares e as criadas para esta nova família, e assim atingir um convívio harmonioso e amoroso. Além disso, ressalta-se o exercício da autonomia. A falta de habilidade em exercer e aceitar a autonomia, sua e do outro, fará com que atrase a formação das regras desta nova família. Principalmente, quando há uma relação rígida com os pais antes do casamento que se mantém depois, sem a construção de um novo. Isto leva o casal a entrar em atrito. Faz com que um imponha ao outro o aprendido em sua casa, estabelecendo a disputa de poder, onde cada um quer mostrar que o outro está errado.
Para que o amor possa continuar crescendo, é necessário entender que o casamento oferece a oportunidade de se ter alguém muito próximo, diariamente, possibilitando se deparar com a impotência da perfeição. Consequentemente, deixar a ingenuidade infantil para continuar evoluindo, compreendendo que o “viver juntos” traz dificuldades, mas também satisfação, por poder criar um convívio nunca imaginado sozinho. E que mesmo diferente do planejado, é possível, sem dúvida alguma, acreditar que o amor do “felizes para sempre” no sentido imaginário, pode não existir, porém o amor que amadurece torna-se verdadeiro e concreto e supera as adversidades a cada dia, por meio do diálogo e respeito, o que pode ser muito melhor. Vamos tentar!

Psic. Elisa Mara Ribeiro da Silva Psic. Noemi P. Cappellesso Finkler
Terapeuta de Família e Casal Terapeuta de Família e Casal
CRP 08/03543 CRP 08/03539

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