FUNÇÃO PATERNA

A criança ao nascer depende totalmente dos pais para sua sobrevivência, recebendo alimentação, cuidado, proteção e afeto que possibilitará o crescimento fisico e emocional do novo membro da familia. A cultura, através da passagem dos valores e costumes, é que vai oportunizar de forma mais aberta ou não, a participação do pai nestas tarefas e consequentemente o exercício da função paterna.
Aproveitando o mês em que homenageamos os pais, resolvi falar da função paterna na atualidade, tema este que tem me preocupado constantemente, por atender familias em terapia e acompanhar as mudanças nas configurações do exercício da paternidade. Tantas informações importantes deixam os pais confusos e por acharem que não dão conta da tarefa de educar para a cidadania, acabam delegando a outros o papel de implantar os valores, de introduzir a lei e proteger. Este tema também me motivou a desenvolver minha monografia de especialização em psicologia e psicanálise a 10 anos atrás, tema este que me acompanha até a atualidade. Me perguntava qual a função de um pai na vida de uma crianca. Com este estudo algumas conclusões se tornaram possíveis. Com embasamento na psicanálise de LACAN, um autor desta corrente de pensamento, entende-se que a criança e a mãe ficam em um estado fusional, ou numa relação de extremo afeto, e o pai é o responsavel por introduzir a lei e promover a devida separação entre ambas para que a criança tenha a condição de se constituir como sujeito de seu próprio desejo. Com esta separação, a criança vai sentir-se faltante, e é nesta falta que ele se constitui como único, mas é na lei colocada pelo pai e garantida pela mãe que se encontra a igualdade. A lei se faz necessária a medida que possibilita as pessoas viverem em fraternidade. FREUD outro autor da psicanálise, diz que não consegue pensar em nuhuma necessidade da infância tão intensa quanto a da proteção de um pai. Neste contexto então, quero trazer a discussão para a atualidade para que possamos pensar como os pais estão assumindo sua função e se organizando para estarem presentes com seus filhos desde o nascimento destes, criando proximidade, protegendo-os, possibilitando a criação do vínculo afetivo para que se possa passar os valores e também fazer a intojeção da lei, além de cumprirem a importante tarefa da proteção. O pai como um sábio jardineiro sabe que a semente plantada necessita de cuidados e observações atentas para compreender as caracteristicas da planta, fazendo as podas necessárias no tempo certo, observando o cenário e lidando com as adversidades para que a planta cresca e dê bons frutos com continuidade e transformação.
Quando o pai busca de fato assumir sua função e a mãe possibilita esta aproximação de pai e filho, todos ganham, pois o filho sentindo-se seguro, protegido e amado receberá e aceitará com menos dificuldades as leis que se fazem necessárias para se viver em comunidade.

Psicóloga – Terapeuta Familiar e de Casal
Noemi Paulina Cappellesso Finkler
CRP 08/03539

Psicóloga – Terapeuta Familiar e de Casal
Elisa Mara Ribeiro da Silva
CRP 08/03543

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!