EMPATIA E RELACIONAMENTO INTERPESSOAL.

Estamos vivendo um momento de muita crise nos relacionamentos interpessoais, seja ele no âmbito familiar, profissional, empresarial ou de negócios. Diante de tantas mudanças, valores e posturas distintas no mundo em que vivemos, e principalmente pela tentativa de cada um de salvar a própria pele, não se consegue chegar a um bom termo nas desavenças, e não raramente as pessoas movem processos para tentar tirar o máximo que podem da situação e do outro, muitas vezes inviabilizando a continuidade dos relacionamentos. Assim sendo, a empatia vem em auxílio a esses conflitos.
Empatia é o processo de identificação em que o indivíduo se coloca no lugar do outro, na realidade do outro, e com isso busca compreender como o outro se sente, pensa, e quais as razões que o fazem agir de determinada maneira. Ser empático é compreender a percepção do outro, sua razão, seu mundo. Essa percepção possibilita entender o que se passa com outro. E além disso, propicia a aceitação do outro, o que beneficia uma solução que atenda a todos ou que minimize os danos.
No âmbito familiar surgem os conflitos quando se exige que o outro desempenhe atividades, assuma responsabilidades ou tenha certos comportamentos que se acredita ser coerentes, sem perguntar ou observar que sejam possíveis. Muitas vezes, as exigências não são passíveis de serem executadas por aquele que exige. Outras, que não se quer realizar, mas que são necessárias, passam a ser determinadas, tais como: cuidar de familiares dependentes sacrificando a vida somente de um; assumir o financeiro sem querer saber da realidade possível, etc. Em processos de separação, na divisão dos bens, é comum que cada um ache que tem mais direitos e menos deveres. Se as pessoas avaliassem o que é justo, colocando-se no lugar do outro, evitariam muitos conflitos, inclusive para os filhos. Compreender que na criação dos filhos, pais e mães têm igual responsabilidades, devendo assim dividir igualmente o cuidado e acompanhamento da prole, facilitaria a vida de todos, no entanto diante da dificuldade de empatia, surgem sentimentos de vitimização e injustiça.
No campo profissional, percebe-se exigências para que se produza mais por menos, para que se realize tarefas mesmo sem competência para tal, com sobrecarga, ou inviáveis, fazendo com a pessoa se sinta desvalorizada. Por outro lado, o colaborador também não consegue se colocar no lugar da empresa e avaliar sua condição diante de uma crise econômica, quando deveria se colocar a maior disposição, comprometer-se mais e trabalhar buscando soluções e não somente direitos. É muito comum quando as pessoas querem se desligar da empresa solicitar que o empresário faça “acertos” que na verdade são erros, pois quem solicita se desligar deveria seguir as regras das leis trabalhistas. Colocar-se no lugar do outro é também pensar como seria se o proprietário da empresa dissesse: “preciso demitir você, mas como não posso idenizar sua demissão preciso que peça o desligamento”. Nas relações comerciais, compromissos assumidos em um momento sem crise econômica, quando a crise aparece é difícil rediscutir, repensar e buscar uma nova solução para ambos, quando não há empatia.
Para que as relações possam continuar saudáveis e o momento de crise se estabilize é muito importante conseguir analisar a situação de forma global colocando-se no lugar do outro para se chegar a uma nova configuração, perdendo-se em um momento e ganhando em outro, e assim viver uma vida no mínimo interessante.

Psicóloga – Terapeuta Familiar e de Casal
Noemi Paulina Cappellesso Finkler Noemi
CRP 08/03539

Psicóloga – Terapeuta Familiar e de Casal
Elisa Mara Ribeiro da Silva
CRP 08/03543

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