EM NOME DO AMOR.

No dia 12 de Junho se comemora no Brasil o Dia dos Namorados. É um dia que se celebra o amor dos enamorados e atualmente tem-se o hábito de presentear a pessoa amada ou fazer uma programação especial. Mas será que sempre foi assim? A escritora Mary Del Priore em seu livro “História do Amor no Brasil”, faz um resgate traçando um perfil dos amores, desde que o Brasil era colônia de Portugal, até os dias de hoje. Pergunta-se então: o que é o amor? Sentimento imutável ao longo da história ou manifestações vinculada ao seu tempo? As pessoas namoram e se beijam hoje da mesma forma que faziam durante o período colonial? O que é permitido e aceito nos relacionamentos em nome do amor?

Parece que o conceito de amor e a forma de relacionamento amoroso se modifica através dos tempos, e isso acontece de acordo com a transformação social e o papel esperado de homem, de mulher e da relação de poder que se estabelece. O vínculo amoroso que antes existia entre os amantes e se mantinha ao longo do tempo estruturava-se pelo poder do mais forte sobre o mais fraco. Este criava uma forte dependência econômica a qual embasava a estrutura familiar, com consequente impossibilidade de rompimento, logo nem sempre o amor estava em primeiro plano. A ideia de que quando as pessoas se unem viram uma só, vivenciada historicamente desde o Brasil Colônia, compreende a ideia que o casamento deve ser realizado por pessoas da mesma classe social, da mesma cultura, com os mesmos valores e costumes. Com isso a escolha do cônjuge era uma escolha que ia além do indivíduo, envolvia as famílias. Com o passar dos tempos, a inserção das mulheres no mundo do trabalho, na participação política e social do país faz com que ambos passem a se comprometer com relação e traz um novo vivenciar o amor e conceitos surgem no lugar do “para sempre“.
Com as mudanças sociais e cultural, o que se vê é a busca da individualidade, e assim, juntos ou separados as pessoas querem continuar inteiras. Hoje é respeitada a escolha dos enamorados, e os relacionamentos passam a acontecer com pessoas muito diferentes entre si. Não dá para negar isso aumentou a complexidade do relacionamento. E ainda, cada um dos envolvidos almeja sua própria satisfação no relacionamento e pela efemeridade do mundo atual, esta satisfação deve ser imediata. Diante disso, muitas vezes o relacionamento nem chega a se efetivar em virtude da idealização do outro e consequente incapacidade de enfrentar a frustração da desidealização pela realidade, além da dificuldade de ultrapassar os frágeis momentos do convívio cotidiano fazendo com que se desista do investimento necessário e se persiga um novo relacionamento idealizado.
A busca do amor tem sido uma busca frenética de satisfação total e desilusões constantes, separações e recasamentos, que em nossos consultórios se apresentam com a fala: “se eu tivesse buscado ajuda profissional no primeiro relacionamento, não estaria tentando e tentando encontrar alguém para conviver e ser feliz”.
Neste mês que se comemora o Dia dos Namorados, desafiamos cada um a tentar, em nome do amor, olhar para aquele que está a seu lado como alguém que tem qualidades, defeitos e fragilidades. E para o relacionamento, como um universo a ser explorado juntos com mudanças que acontecerão em cada um, e ainda, entender que esta pessoa tão diferente veio ajudar em seu crescimento. Ame a pessoa do jeito que ela é, e se for preciso entender porque estão juntos, busque ajuda de um profissional que possa lhe mostrar o amor que permite crescimento e respeito, pois se mesmo assim decidirem um outro caminho é porque até então cumpriram a missão um com o outro.

Psicóloga – Terapeuta Familiar e de Casal
Noemi Paulina Cappellesso Finkler Noemi
CRP 08/03539

Psicóloga – Terapeuta Familiar e de Casal
Elisa Mara Ribeiro da Silva
CRP 08/03543

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