DEPENDÊNCIA!!! O QUE FAZER PARA VIVER BEM ???

Ao falarmos de dependência, inicialmente sentimos a necessidade de um conceito para a compreensão de seu significado e do momento em que uma atenção especial é fundamental indicando a busca de ajuda profissional. Para essa reflexão usaremos a definição do CID 10(Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, 10ª Edição), onde encontramos a Síndrome de Dependência como sendo um conjunto de fenômenos fisiológicos, comportamentais e cognitivos, no qual o uso de uma substância ou uma classe de substâncias alcança uma importância muito maior para determinado indivíduo que outros comportamentos que antes tinham maior valor. Portanto, trata-se da troca de prioridades na qual comportamentos mais frequentes tornam-se obsoletos, e o comportamento vicioso cresce em importância devido às respostas alcançadas. A dependência define-se, portanto, como sendo a relação de uma pessoa com uma atividade que traz danos biológicos, psicológicos e/ou sociais que está fora de seu controle.
Vale ressaltar que a dependência retrata uma relação que vem desde muito cedo na vida da pessoa e está associada à interação afetiva-emocional dos pais para com os filhos. O que favorece a dependência são pais muito ansiosos que desejam atender a todas as necessidades de seus filhos impedindo que os mesmos lidem com as frustrações que surgem no decorrer de suas vidas. Todos os estágios de vida pressupõem lutas. Todo bebê, desde que nasce, chora, pois esta é a sua comunicação possível. Chora por sentir desconforto, e os pais em sua ânsia para que o bebê não chore, o atende prontamente: oferecem o peito, administram remédios ou qualquer outra ação (hoje, brinquedos eletrônicos) até que o choro, que é a fala, cesse. Isto ocorre porque de alguma forma o bebê recebeu algo gratificante que mascarou seu desconforto. Este padrão faz com a criança cresça esperando que venha do outro ou de alguma outra coisa, algo que acabe com seu mal estar. E no transcorrer da vida pode aparecer em atitudes como no uso de substâncias psicoativas, na ingestão de alimentos, na utilização desenfreada da informática ou em algum tipo de relacionamento afetivo doentio. O tentar livrar-se do desprazer de forma imediata não permite a reflexão, mesmo que este comportamento ou relação seja prejudicial. Assim, a característica central dessa síndrome é o desejo, frequentemente forte e irresistível, de consumir drogas, alimentos ou de estar com determinadas pessoas, para sentir-se aliviado, mesmo sabendo dos prejuízos futuros que isso pode lhe oferecer. Logo, a dificuldade em vivenciar o desprazer e a busca em saciar o desejo imediatamente impossibilita a ação tornando o indivíduo escravo de seu desejo sem conseguir quebrar este padrão comportamental.
A busca de tratamento não é fácil, pois como mecanismos de defesas estrutura-se a negação que não o permite ver a realidade que se apresenta, além da onipotência que o faz acreditar que está no comando e é capaz de controlar o desejo quando quiser. Estes mecanismos dificultam a tomada de consciência de sua doença, de sua dependência, de sua falta de controle da situação.
Então o que fazer? O mais importante para quem quer auxiliar o dependente é não desistir, não desanimar nas recaídas, pois estas fazem parte do processo de aprendizagem, do saber lidar com a dor e frustrações para se manter na abstinência e compreender a importância de lutar na vida para ultrapassar as adversidades e conhecer a essência do viver bem.

Psicóloga – Terapeuta Familiar e de Casal
Noemi Paulina Cappellesso Finkler
CRP 08/03539

Psicóloga – Terapeuta Familiar e de Casal
Elisa Mara Ribeiro da Silva
CRP 08/03543

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!