A MENINA QUE SE FEZ MULHER -UM RITMO DE PASSAGEM.

Os rituais fazem parte da evolução da humanidade e têm uma grande importância ao demarcar ciclos vitais. A passagem de uma etapa para outra causa em cada ser um tipo próprio de revolução devido às desorganizações vivenciadas, o que é necessário para a continuidade do processo evolutivo. Estes ritos proporcionam a estabilização das emoções pela apropriação de novas tarefas e novas aprendizagens que possibilitam a reorganização e continuidade dos ciclos. Em muitas sociedades há o ritual de passagem do menino ao homem guerreiro, no entanto na nossa, não temos ritos para os meninos, e sim, para as meninas. Aqui queremos, então, trazer o ritual de passagem que acontece com as meninas aos 15 anos, em um momento de reflexão. Parafraseando a lenda da fênix: “Das cinzas da morte da menina surge a mulher”. Quantas emoções diferentes acontecem com a adolescente e com seus pais no vir a ser! Quando os pais recebem uma filha em seus braços lançam a ela um olhar carregado de emoções e cheio de esperança. Acompanham esta menina nesta trajetória, vivendo e se transformando em sua missão de pais, modificando seus conceitos e tarefas. Contudo, a maior e principal mudança é a experiência – por vezes dolorosa – de ter que abdicar dos pais que pensavam em ser, para passar a viver os pais que conseguem ser para esta filha. A filha, por sua vez, ao olhar para os pais e ler suas expectativas, também vai vivendo e se transformando. Um pouco no que os pais querem e outro, no seu querer, pela identificação tanto positiva, quanto negativa com estes. Nesta rede emaranhada de emoções e razão, ambos se modificam ao conhecer o outro e a si mesmo. Neste mundo tão intenso parece que falta tempo para tudo o que se pretende viver. A cada dia a filha tem novos aprendizados nesta evolução iluminada pelo olhar dos pais, alguns atentos, outros, nem tanto. Aqui queremos relatar o olhar dos pais atentos que vão observando e descobrindo junto com a menina o que ela aprende e como ela se entende. O que ela pensa de si, suas fragilidades que com o tempo podem se transformar em fortaleza ou permanecer fragilidades. E tudo isso faz parte da mulher que está nascendo e dos pais que também precisam se modificar. Este convívio dinâmico é regado de muitas e diversas emoções em cada etapa, em cada estação na viagem do viver. E é neste ritmo que chega a 15ª estação. Marco que separa a infância da vida adulta para a adolescente e seus pais atentos que a acompanham. É a morte da menina e o nascimento da mulher. Toda morte traz dor, mas todo nascimento irradia luz e esperança. Este antagonismo surge como descompasso. O desprendimento se faz necessário. No entanto, ainda há situações de insegurança vividas por ambos, pais e filha. Para se manter o compasso, como em uma dança é preciso estar atento aos acordes, aos sons que possibilitam o próximo passo. A confiança é imprescindível e esta foi desenvolvida ao longo dos ensaios destes curtos anos dourados. Conforme o ritmo separar-se é necessário em uma coreografia solo. Ligar-se também, em novo ritmo com outras tarefas e expectativas. Assim sendo, se vocês estão nesta estação da viagem em família, saibam que por mais que surja insegurança por este novo vir a ser de sua filha, vocês, pais e filha, estarão sempre ligados seja pelo pensamento, seja pelo coração. Pelo pensamento, nos valores que ela carregará como mulher. Pelo coração em tudo que ainda farão um pelo outro nessa relação regada pelo amor. Saibam que nem sempre estes dois estarão em sincronia. Porém, esta interação, cada atitude, sempre será iluminada por ambos, mesmo que somente mais tarde saibam. E nos próximos anos quando acreditarem que algo não está de acordo com o que foi desejado para sua filha-menina e a filha-mulher tomar para si seu lugar, entendam que faz parte deste viver e evoluir. E ainda, que a ligação permanece, como um fio invisível, com o remédio universal que é o amor, e a moeda que possibilitará obter mais remédio, a gratidão. Logo, que o rito venha para ensinar, com amor e gratidão, a missão de serem pais, abdicando da menina que se foi, respeitando a mulher que começa a se fazer presente.
Psicóloga – Terapeuta Familiar e de Casal
Noemi Paulina Cappellesso Finkler CRP 08/03539
Psicóloga – Terapeuta Familiar e de Casal
Elisa Mara Ribeiro da Silva CRP 08/03543

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